LINHA DO TEMPO

“Comecei a fabricar tintas quando ainda eram as tintas de anilina, em 1967, quando as embalagens eram todas produzidas em papel, inclusive nos supermercados, eram de papel kraft pardo. Foi aí que iniciamos a VivaCor Indústria de Tintas e Vernizes, fabricando tintas de anilinas à base de álcool e, também, as tintas à base de água para caixas de papelão e sacaria. As tintas base água estavam surgindo no Brasil. Abri a empresa com meu pai, Elia Baladi, contabilista que atuava no comércio e possuía uma indústria de papel, aqui em Diadema mesmo. Depois vendeu e veio trabalhar comigo. Ele cuidava da parte administrativa, enquanto eu me dedicada à produção, aos clientes e atendimento”, conta Roberto Baladi, fundador da Vivacor, que em 2007 completou 40 anos de atuação na fabricação de tintas flexográficas.

Depois de formado em Química e feito especialização em tintas, um dia um amigo que possuía uma fábrica de embalagens incentivou Roberto a fabricar tinta. “No começo fornecíamos, para esse amigo e outras empresas, as tintas para impressão em papel que era o monolúcido, o papel Kraft pardo para sacaria em geral, o kraft branco para farinhas, o papel manteiga, o celofane e também o papelão ondulado. Havia também o papel opaline, para balas. Era a época do papel. As impressoras eram chamadas de rotalinas, porque usavam as tintas anilinas. Mas eram máquinas pequenas, compactas… Começaram a mudar de nome uns dez anos mais tarde”, conta Roberto.

A Vivacor nasceu em um pequeno galpão na Rua Domingos de Morais. “Dois anos mais tarde, o espaço teve de ser ampliado e nos mudamos para a Rua Dona Júlia, na Vila Mariana mesmo, em 1969. Nesse mesmo período começamos a produzir também tintas à base de água para papéis e corrugados”. Naqueles anos 60, a Vivacor era uma das duas pioneiras no Brasil a fabricar tintas para flexografia, isto é, “tintas de anilinas para rotalinas”.

“As tintas de anilinas eram muito simples de se produzir. Eram feitas de corantes básicos e não tinham resistência à luz; um papel de presente, por exemplo, que ficasse numa vitrine exposto à luz, desbotava. O mercado também era outro, os custos não eram tão problemáticos e as margens de lucro eram bem diferentes. Usava-se uma tinta para quase todas as embalagens. Era praticamente uma tinta universal. As cores iam do amarelo ao preto e uma cor atendia vários clientes, fazíamos estoques das cores. Hoje o estoque acabou. Quando um cliente faz um pedido eu preciso ter o produto semi-elaborado e fazer a tinta especial dele na hora. Além da tonalidade especial para cada cliente, tem um tipo de tinta para cada embalagem e cada uma com exigências diferentes”.

Já nos primeiros cinco anos da Vivacor, o papel começava a ficar escasso e muito caro. Nesse momento o plástico que entrava timidamente no mercado brasileiro se fortalecia como opção para as embalagens. Assim, em 1972, a Vivacor começou a produzir as novas tintas com pigmentos à base de solvente para os substratos plásticos em geral, bem como outros produtos necessários ao convertedor como solventes, vernizes e demais aditivos. E novamente precisou de maior espaço para suportar seu crescimento. Foi quando a empresa construiu sua sede própria em Diadema, na Grande São Paulo, onde está instalada até hoje e continua firmemente dirigida com os princípios estabelecidos por seu fundador.

A partir da década de 1970, as anilinas começam a desaparecer do mercado e as tintas pigmentadas à base de solvente tomam proporções cada vez maiores. A Vivacor acompanhou a evolução, trabalhando com afinco e dedicação na pesquisa, desenvolvimento e aprimoramento de seus produtos, buscando atender as exigências cada vez maiores da impressão flexográfica. Muitas adaptações foram exigidas para se chegar à qualidade de hoje, a começar pela resistência da tinta na embalagem impressa. “Nos últimos 40 anos, a tinta para flexo teve muito mais mudanças e evoluções desde o seu princípio no início do século 20, fase em que se usou a mesma tinta de anilina. Para se ter uma idéia, a velocidade das impressoras quando a Vivacor entrou no mercado era de 30 a 40 m/min. Depois de 40 anos essa velocidade é bem superior a 300 m/min”, compara Roberto.

“Atualmente estou mais focado nas áreas técnica e de produção, deixando a responsabilidade das áreas comercial e administrativo-financeira para suas duas filhas, Andréa que seguiu minha vocação (é Engenheira Química) e Paula, que é Administradora de Empresas”.

Na comemoração de seus 40 anos de contribuição ao maior período de desenvolvimento da flexografia, a Vivacor continua apostando no futuro que exigirá talvez maiores desafios: o desenvolvimento de tintas totalmente amigáveis ao meio ambiente. “Já desenvolvemos uma tinta específica para atender às exigências relativas ao meio ambiente, que é a tinta à base de água para os plásticos. Acredito que a grande evolução das tintas flexográficas no futuro se dará com a tinta à base de água para os plásticos e também para os não-tecidos que vêm crescendo bastante”, prevê Roberto. “A tendência é de se fabricar cada vez mais tintas isentas de metais pesados – feitas com pigmentos orgânicos”, completa.